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Lua Nova em Virgem e o Arcano Maior do Tarot "A Imperatriz"

 



Lua Nova em Virgem: quando cuidar de si também é um ato de prosperidade

Toda Lua Nova inaugura um ciclo.

É aquele momento em que a Lua desaparece do céu e, por alguns dias, não conseguimos vê-la. Depois, lentamente, sua luz começa a retornar. Primeiro como um pequeno fio luminoso, até que vai crescendo, tornando-se Lua Cheia, alcançando sua máxima luminosidade e, então, novamente começa a minguar, até desaparecer outra vez.

E o ciclo recomeça.

Esse movimento acontece aproximadamente a cada 28 dias. Ao longo de um ano, temos, portanto, 12 ou 13 oportunidades de acompanhar esse grande ritmo de começos, crescimento, plenitude, recolhimento e recomeço.

Gosto de pensar que existe algo muito sábio nessa repetição.

A vida também é feita assim.

Nem todo recomeço precisa acontecer em janeiro. Nem toda mudança precisa esperar que algo desmorone completamente. A cada Lua Nova, temos simbolicamente uma pequena oportunidade de perguntar: o que quero começar a cultivar agora?

Nesta Lua Nova, o convite vem através de Virgem.

A arte de cuidar do que está vivo

Virgem é um signo associado à organização, à rotina, ao corpo, à saúde, ao trabalho cotidiano, ao aperfeiçoamento e aos pequenos gestos que, repetidos ao longo do tempo, produzem grandes transformações.

Não é por acaso que, quando penso em Virgem, uma das imagens do Tarot que me vem é a da Imperatriz, arquétipo da Grande Mãe.

A Grande Mãe é aquela que cuida.

Ela percebe o que precisa ser nutrido. Alimenta, protege, organiza, oferece conforto. Está atenta ao corpo, à matéria, às necessidades concretas da vida.

Filhos limpos, cheirosos, alimentados, descansados e bem cuidados são filhos dessa mãe.

Mas existe uma pergunta interessante quando deslocamos essa imagem da maternidade para a nossa própria vida:

Quem cuida de nós quando já somos adultos?

Em algum momento, precisamos aprender a ocupar esse lugar para nós mesmos.

Precisamos perceber quando estamos cansados. Quando precisamos comer melhor. Quando nosso corpo pede descanso. Quando nossa casa está pedindo organização. Quando nossa rotina deixou de nos sustentar. Quando estamos trabalhando demais, dormindo de menos ou vivendo permanentemente em estado de urgência.

Precisamos aprender a reconhecer nossas necessidades — e, principalmente, a nos prover daquilo que precisamos.

É aqui que Virgem pode nos ensinar algo precioso.

Prosperidade também é sentir-se bem na própria vida

Quando pensamos em prosperidade, é comum pensarmos imediatamente em dinheiro.

Mas prosperidade é também uma experiência de suficiência.

É poder habitar a própria vida com algum conforto. É sentir que existe espaço para respirar. É ter uma relação minimamente saudável com o corpo, com o tempo, com o trabalho, com a casa, com os recursos que possuímos.

Talvez por isso a imagem da Imperatriz seja tão interessante para esta Lua Nova.

Ela parece confortável em seu próprio território.

Ela não está correndo.

Ela reina.

E talvez exista uma relação profunda entre prosperidade e capacidade de cuidado.

Não como uma fórmula mágica segundo a qual organizar a casa fará dinheiro aparecer, mas como uma transformação na maneira como nos relacionamos com aquilo que temos e com aquilo que somos capazes de construir.

Às vezes, a escassez também se manifesta na dificuldade de reconhecer que precisamos de alguma coisa.

Pedimos pouco. Descansamos pouco. Nos alimentamos mal. Aceitamos relações que nos oferecem pouco. Trabalhamos além dos nossos limites. Adiamos o cuidado com o corpo. Deixamos para depois aquilo que sabemos que nos faria bem.

E então nos perguntamos por que a vida parece tão apertada.

Virgem nos convida a olhar para o cotidiano.

Não para buscar uma vida perfeita, mas para perceber onde podemos começar a fazer diferente.

Uma Lua Nova para pequenas mudanças

Durante este ciclo, talvez valha a pena observar:

O que precisa ser organizado na minha vida cotidiana?

Que hábitos poderiam favorecer minha saúde e meu bem-estar?

Como tenho cuidado do meu corpo?

Onde estou negligenciando necessidades básicas?

O que precisa ser nutrido — e o que precisa ser colocado em ordem?

Que projetos pessoais estão pedindo cuidado, como uma criança que depende da nossa presença para crescer?

E talvez uma pergunta ainda mais profunda:

Como seria tratar a mim mesma como alguém por quem sou responsável?

Quando somos crianças, precisamos que alguém nos cuide.

Quando crescemos, uma parte desse cuidado precisa passar a ser nossa responsabilidade.

Precisamos nos tornar, pouco a pouco, nossas próprias mães e nossos próprios pais.

Não para abandonar a necessidade do outro, nem para acreditar que precisamos dar conta de tudo sozinhos.

Mas para deixar de esperar que alguém venha nos salvar daquilo que já podemos começar a fazer por nós mesmos.

A Lua Nova não exige que tudo esteja pronto.

Ela é escura.

Ela ainda não mostra o que está por vir.

Ela apenas inaugura um espaço para plantar.

E talvez seja essa a beleza desta Lua Nova em Virgem:

não precisamos transformar a vida inteira de uma vez.

Podemos começar pelo pequeno.

Uma rotina mais saudável. Um corpo mais bem cuidado. Uma casa mais organizada. Um limite colocado. Um projeto retomado. Um descanso permitido. Uma necessidade reconhecida.

Passo a passo.

Ao longo do ciclo da Lua.

Porque cuidar de nós mesmos também é uma forma de dizer à vida:

eu reconheço que estou aqui, eu reconheço o que preciso e estou disposta a participar ativamente da construção da minha própria vida.


Texto escrito por Daniela Balthazar, psicóloga clínica, tarologista e taróloga, astróloga, mestre reiki e terapeuta quântica multidimensional.


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